A 3ª Conferência Nacional de Juventude mostrou que as mais diversas juventudes brasileiras exigem, com cada vez mais força e radicalidade, a participação efetiva dos processos de decisão política do país, lutando por mais direitos e defendendo a democracia nas ruas e nas rede
"Verás que um filho seu não foge à luta”. Ao som do Hino Nacional, cantado a capela por 3 mil jovens, a 3ª Conferência Nacional de Juventude teve início no dia 16 de dezembro de 2015. O histórico ato de abertura contou com a presença de 7 ministros, dezenas de parlamentares, do ex-presidente e atual senador José Mujica Pepe Mujica – grande referência para a juventude da América Latina – e da Presidenta Dilma Rousseff.
A presidenta Dilma destacou a importância da aprovação do Estatuto da Juventude, se colocou contra a PEC 215 (sobre demarcação de terras), denunciou a violência policial contra manifestações pacíficas dos jovens na luta pela educação e reafirmou o enfrentamento às tentativas golpistas de derrubar seu governo e com isso ameaçar a democracia brasileira.
Ao longo de quatro dias tivemos a participação de 1.667 delegados e delegadas, 615 observadores, artistas, cientistas e comunicadores. A juventude brasileira é diversa: ela é negra, indígena, mulher, LGBT, oriunda do campo e da cidade, jovens com deficiência. Certamente, a diversidade da Conferência foi um dos elementos mais enriquecedores deste processo, do qual emerge a beleza da nossa mistura jovem brasileira como produtora de direitos e a radicalização da democracia e da participação política.
70% dos credenciados eram jovens negras e negros e o Espaço Negritude, feito em parceria com a SEPPIR, foi constantemente ocupado por reuniões, atividades, encontros, festas, manifestações culturais e políticas, enfim, uma demonstração da potência da juventude negra em movimento. Também nos orgulhamos de afirmar que uma das marcas dessa 3ª Conferência foi a paridade de gênero. Todas as delegações tinham metade ou mais de mulheres, quantidade que foi traduzida em protagonismo político. As mulheres estavam conduzindo centralmente todos os processos políticos da Conferência, dando a tônica da maioria das Arenas de Debates, ocupando os espaços de preparação dos grupos de discussão.
Os grupos de discussão são outro legado que a 3ª Conferência deixa para os processos de participação social do Estado brasileiro. A metodologia garantiu que jovens que normalmente não tem espaço para falas nos espaços tradicionais de participação tivessem voz. O sucesso da metodologia ficou atestado pela enorme adesão da delegação, com a participação de 1300 pessoas.
A Conferência inovou também quando garantiu a participação de delegados digitais e quando promoveu o Manifesta, mostra cultural e científica. 30% dos delegados foram eleitos por meio da submissão de propostas e votação em um aplicativo específico e 350 propostas diretamente formuladas por essas e esses jovens foram analisadas na conferência. Já o Manifesta garantiu a presença de 219 artistas, coletivos culturais e cientistas que contribuíram decisivamente para fazer do Mané Garrincha um mosaico das juventudes brasileiras, um espaço de integração lúdica e de promoção política das diversidades que atravessam as juventudes brasileiras. Aproveitamos para agradecer aqui o apoio da FUNARTE e do MINC que garantiram o Show do Emicida no primeiro dia de encontro.
Outro processo de mobilização vitorioso da nossa Conferência foi a dinâmica de cobertura colaborativa de tudo o que aconteceu no território das juventudes. 30 coletivos independentes de mídia ativismo se organizaram para fazer a Comunicação um elemento de politização e integração dos participantes, indo muito além da necessária atividade de informar e registrar o que se passava.
Não podemos deixar de mencionar o momento de encontro das juventudes rurais (fortemente representadas na Conferência) realizado em parceria com o MDA, e do qual resultou em mobilização que levou as demandas da juventude do campo a conquistar um lugar entre as demandas prioritárias da nossa juventude. É preciso registrar ainda os processos de auto-organização da juventude da economia solidária, que, com apoio do MTE, nos mostraram a prática que produz novos mundos, e que contaram com a ilustre presença do professor Paul Singer.
No mesmo sentido, queremos destacar a Arena de Debates sobre produção e consumo sustentável, organizada em parceria com o MMA, que garantiu a participação do teólogo Leonardo Boff, outro grande inspirador da juventude latino-americana. Finalmente foi com muita luta que garantimos a etapa específica de Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs), com apoio da FUNAI e novamente da SEPPIR. A etapa dos PCTs, cuja realização exige uma logística desafiadora, ocorreu com a participação 71 delegados/as Extrativistas, Indígenas, Ribeirinhos, quilombolas, povos de terreiro, entre outras juventudes que se mobilizaram e ao final também garantiram suas demandas como prioridade da Conferência. Realizamos ainda uma programação internacional especifica, elaborada em sinergia com o MRE e que contou com cerca de 50 observadores da América Latina, da península ibérica, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e do Bloco BRICS.
Como ocorre em quase todos os eventos desta magnitude, problemas técnicos e burocráticos ocorreram. Não foi fácil realizar o encontro em meio a instabilidades e a reforma administrativo-organizacional da SNJ. Felizmente contamos com apoio fundamental da SEGOV, sem o qual não teríamos tido sucesso. Ainda assim, queremos nesse texto pedir desculpas aos delegados e às delegadas que não conseguiram comparecer por falta de emissão de passagem. Todo nosso esforço foi para que garantíssemos a presença de todos e todas. Nossas sinceras desculpas.
Ao final, como resultado deste rico processo, tivemos 3 propostas prioritárias que evidenciam que juventude quer mais educação, mais trabalho, mais cultura, mais justiça social e democracia. Ela quer participar dos rumos da política e precisa estar no centro de um projeto de desenvolvimento de país. A juventude não aceitará retrocessos. Ela é contra a redução da maioridade penal; ela reivindica a reforma agrária, regularização fundiária e a demarcação de terras de povos e comunidades tradicionais; e ela demanda a institucionalização das PPJ’s via desenvolvimento de um Sistema Nacional de Juventude. Nós da SNJ vamos nos esforçar, no próximo período, em organizar um novo processo de mobilização e diálogo, contando com o envolvimento incansável do Conselho Nacional de Juventude e as parcerias com os gestores estaduais e municipais para viabilizar a implementação do Sistema Nacional de Juventude.
Por fim, queremos comemorar que estamos de casa nova. Foi anunciada pela Presidenta Dilma o novo lugar da Secretaria Nacional de Juventude. Ela se incorpora ao Ministério liderado pela Ministra Nilma Lino Gomes que agora chamará Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos. É com muita energia que vamos para esse novo espaço que já acolhe a juventude brasileira de braços abertos, como falou a ministra Nilma em nossa Conferência.
2016 será cheio de desafios, mas sabemos que teremos na potência da juventude o impulso decisivo para seguir na construção de um país mais justo e inclusivo. Nosso sincero agradecimento aos mais de 600 mil jovens em mais de mil municípios que participaram deste processo.












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